quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Miragina tradição de família


* Elson Martins
José Luiz, empresário acreano de olho na florestania (Foto: Elson Martins)


Há 48 anos, esta empresa acreana por excelência tece sua sustentabilidade no mercado regional de alimentos. Seus produtos aparecem cada vez mais nos supermercados e mercearias de Rio Branco, com qualidade e estilo. Os mais recentes são os biscoitos, o óleo e as amêndoas (desidratadas, inteiras ou fatiadas, com e sem sal) de Castanha do Brasil. E as embalagens, escolhidas no capricho, seguem a linha da florestania. Em 2015 vão aparecer mais novidades: além da farinha de castanha, pronta para temperar pratos, bolos e mingaus, serão lançados a farinha flocada de mandioca, os diversos tipos de feijão de Cruzeiro do Sul e óleos da floresta (como o Murmurú) explorados no Vale do Juruá. A farinha flocada vem sendo produzida em Tarauacá e começa a ser vendida em Rio Branco.


O grupo familiar Miragina mantém três empresas: a Fábrica de Biscoitos, a Panificadora Rosamélia e a Olam – Óleos da Amazônia. O carro chefe é a Fábrica de Biscoitos dirigida por José Luiz Felício, 54, formado em Administração de Empresas e em Ciências Contábeis. Do seu escritório localizado no bairro do Aviário, região central da cidade, ele comanda a distribuição de 17 produtos abastecendo todo o Acre e parte de Rondônia. Também está de olho no mercado nacional. A produção de biscoitos (ou bolacha) é de 180 toneladas ao mês. A Panificadora Rosa Amélia, que fica em frente à fábrica, no Aviário, é administrada pelo irmão mais velho, Abraão Assis Felicio. A irmã Sara, recém-falecida, também fazia parte da sociedade.

A Olam (Óleos da Amazônia) é a parte mais envolvida com a pesquisa de produtos da floresta. Há mais de uma década o grupo investe na produção do óleo (azeite) da Castanha do Brasil e acompanha com interesse a trajetória vertiginosa do açaí. Cauteloso, Zé Luiz evita dar detalhes sobre o que anda pesquisando no Vale do Juruá. Admite apenas que o óleo de Murmuru, que já mereceu uma fábrica de sabonetes em Cruzeiro do Sul, está na pauta. O açaí, certamente, pode aparecer na versão em pó.


Essa história bem sucedida começa em 1892, quando o jovem casal libanês Felício e Sara Abraão, seus avós, decidiu pegar um navio para viver a aventura da borracha na Amazônia. Desde então, nome e sobrenome se repetem e se espalham pelo Pará, Amazonas e Acre. A gênese da Miragina foi o transporte de trigo importado dos Estados Unidos para abastecer o Acre e a Bolívia. Coube aos avós libaneses montar uma frota de lanchas modernas para manter o negócio.

Em 1912, já começavam a se fixar em Xapuri e Brasileia. E de lá para cá, filhos e netos se encarregaram de manter a tradição empreendedora da família, centralizada na capital.


A empresa dos Felício Abraão tem traços culturais que a distingue. Zé Luiz explica: “Nós temos uma forte preocupação social, mantemos a tradição de contribuir com entidades filantrópicas como Educandário Santa Margarida; fazemos doações às famílias atingidas pelas enchentes; também atendemos pedidos de desportistas e equipes estudantis que se deslocam para participar de seminários ou outro evento; e temos sempre pão e biscoito para quem tem fome”. Sua mãe, Miriam, ensinava que “é importante dar ajuda sem dizer a quem”, e isso vem sendo cumprido à risca.

Segurança e tradição



  Fátima, 44 anos de bom desempenho na Miragina (Foto: Elson Martins)

Maria de Fátima Marcelino Brasil, 59, nasceu no seringal Liberdade, no Rio Liberdade, em Cruzeiro do Sul, na parte mais ocidental do Acre. É filha de seringueiros. Ela trabalha há 44 anos na Miragina, ainda era menor de idade quando começou na empresa, em 1972, “fazendo de tudo no escritório”. Hoje é encarregada de Recursos Humanos. Outros quarenta dos 137 funcionários estão há décadas por lá e não querem sair.

Aposentada há 12 anos, “dona Fátima”, como todos a tratam, permanece na ativa e não muda sua rotina. Se tornou membro da família, dá palpites, foi confidente e companheira de viagem de dona Sara em visitas a São Paulo e Rio de Janeiro. É pessoa de extrema confiança da casa. Uma espécie de “governanta”.

Na verdade, a Miragina recebe bem seus visitantes. Logo à entrada da fábrica, tem uma mesa grande com café, leite e biscoitos variados. Ali ocorre todo começo de conversa, cercado da simpatia do patrão e empregados. Percebe-se um “ethos” amazônico no ambiente.



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