sábado, 14 de agosto de 2010

Océlio Medeiros

Coluna publicada no Jornal Página 20 | 15ago2010
Océlio com Yasmin

Antes de falecer em Brasília, em março de 2008, aos 91 anos, o advogado, professor universitário, poeta e escritor acreano Océlio Medeiros, filho de Xapuri e contemporâneo de Armando Nogueira, Jarbas Passarinho e Adib Jatene – esteve empenhado em publicar a série “Almanaque Acreano”, que produziu com recursos próprios e a ajuda valiosa da filha Elizabeth. A série “José Plácido de Castro: da Campanha Gaucha no Sul à Fronteira da Borracha no Noroeste”, em cinco volumes, permaneceu inédita, mas digitalizada e ilustrada: O autor sonhava em ver seus “almanaques” circulando pelas escolas públicas do Acre, ensinando Revolução Acreana à meninada. Mas, ele mesmo percebera depois, a linguagem utilizada era um tanto imprópria para crianças e adolescentes. São exemplos a ilustração desta página e o texto a seguir, em que ele traça um perfil nada honroso do advogado José Alves Maia, que acompanhava Plácido de Castro (juntamente com o promotor Campello e Genesco de Castro) quando o comandante militar foi emboscado e morto, em 1908, nas margens do igarapé Distração a caminho do seringal Capatará.

Naqueles Tempos
Desenho do Almanaque de Océlio

Océlio Medeiros

O cearense José Alves Maia apareceu no Acre, como advogado provisionado, para fazer fortuna, à semelhança dos demais jovens causídicos e ambiciosos. Era da máxima confiança do coronel Plácido de Castro, no mais popular escritório de advocacia da Vilade Rio Branco, onde se consorciara com o jovem promotor Barros Campello.
Quando governador do Acre Meridional e, posteriormente, prefeito interino da Vila de Rio Branco, o coronel Plácido de Castro sempre recorria à consultoria jurídica do dr.Zé Maia. Posteriormente, o nomeou para a chefia do contencioso departamental, quando em 24 de julho de 1906 assumiu o governo interino da Prefeitura do Alto Acre.
Várias falcatruas foram descobertas, violências e abusos de poder foram comprovados. Inquéritos foram instaurados para apurar estelionatos, concussões e outros crimes praticados nas administrações do dr. Acauã Ribeiro, do capitão Pratagy e do alferes Pinto Ribeiro.
O dr. Zé Maia foi o braço direito de Plácido de Castro nas investigações e acusações contra os corruptos, militares e civis, que só iam ao Acre para enriquecer rapidamente com o dinheiro público (...). Mas ele era um farrista boêmio da bela época. Andava sempre cercado de pintalegretes, jovens raparigueiros, dentre os quais o sargento Liberalino, seu principal companheiro de noitadas. Os maledicentes o difamavam, tornando puro e notório os seus desregramentos, a tal ponto que outro companheiro de bebedeiras, o poeta Juvenal Antunes, propalava que ele ressuscitara Sodoma e Gomorra (...). Juvenal, promotor de justiça, chamava a administração prefeitorial de “rapinocracia territorial acreana”.
Na verdade, o doutor Zé Maia só saiu do Acre, com muito dinheiro, para operar a vesícula no Rio de Janeiro, com o famoso cirurgião Pedro Ernesto, que só atendia após 30 dias. Os meses se passaram e seus companheiros de farra, pensando que morrera na operação, liquidaram os seus bens
e comeram aves domésticas que ele criava em Xapuri. Houve uma semana de farras, comilanças e bebedeiras, em memória, até que um dia ele reapareceu como um fantasma.
Após a morte de Plácido, o doutor Zé Maia transferiu domicílio definitivo para Belém, onde recepcionava o interventor Joaquim Cardoso Magalhães Barata e os seus mais influentes correligionários na Cidade Velha, Rua Alenquer, 54, com banquetes suntuosos.

CARTAS

Estátuas de fibra de vidro
Tocaia I

“Caro Elson: Como sempre, aos domingos, leio seu Almanacre e seus belos textos. Falando da Tocaia (publicada domingo,8), corrijo um pequeno equívoco: a implantação das estátuas que retratam a emboscada sofrida pelo Plácido de Castro foi de iniciativa do governador Binho Marques, inclusive porque em 2008 já era ele quem governava o Acre. Jorge Viana revitalizou o local, esquecido e abandonado pelos governos anteriores. No 6 de agosto de 2008 também houve a criação do Parque Plácido de Castro na área de 10 hectares que compreende o igarapé Distração, a área da lápide e agora as estátuas. Em breve o local ganhará um circuito de arvorismo acrobático, para incrementar o turismo de aventura, com recursos de uma emenda do senador Tião Viana repassados pelo Ministério do Turismo. Será explorado através de jovens moradores da APA do Amapá, reunidos em cooperativa”. 
Cassiano Marques de Oliveira - Secretário de Estado de Esporte, Turismo e Lazer

Resposta - Agradeço pela correção, que recebo mais como uma complementação da notícia contida na coluna passada. Mas veja lá, secretário, que tipo de atividade o senhor vai desenvolver em volta do túmulo do nosso herói!

Tocaia II

“Caro Elson: Estive no Acre todo o mês de julho, muito ocupado com as atividades do Projeto geoglifos. Entre várias atividades promovemos o Simpósio Internacional sobre os geoglifos. Creio que com o envolvimento de renomados cientistas, os geoglifos ainda nos darão muitas e boas informações sobre o passado remoto do Acre. Logo da chegada em Florianópolis a Cleusa me perguntou se eu o havia encontrado. Agora o reencontro nessa belíssima “Tocaia”. Fico feliz em saber que estás “firme e forte”.
Um abraço, Alceu Ranzi.

Resposta - Obrigado, Alceu. Estive de férias em julho.

Chá de Sumiço

“Essa turma do Aquiri vez em quando se dana a mandar e-mails. Depois, passa tempão no chá de sumiço. Cadê ocês. Faz um ano que o Birolim -que vem a ser o pai da Fernanda aí- brigou com a gente e não manda mais nada... O Itamar Zanin só vez ou outra. E um tal de Elson também parou...Então tá...é o pessoal cá do Sul Maravilha que é viciado nessa parafernália de computador, celular, lap-top , etc. A escola do meu filho me botou pra falar um dia inteiro sobre os índios do Acre, depois que ele me dedou dizendo que eu morei quatro anos com os índios. Veja só...Até explicar que não é nada disso...(ha!ha!ha!). Vou ensinar a criançada a jogar aquele joguinho que você botou num Almanacre: o Jogo da Onça ou Adugo. Estou treinando, mas ainda não sei direito como andar com as pedras...
Tudo bem aí? E os bacuri? Antônio Marmo - São Paulo.

Respsta – Olá, Marmo! A época dos bacuris é em janeiro, fevereiro .O teu amigo Silvio Birolo, professor de filosofia e agricultor é o meu fornecedor. Fiz contato e ele prometeu te abastecer na próxima safra. Bacuri é o fruto mais saboroso do planeta Terra, mas os técnicos e autoridades da agricultura amazônica, parece, anda não descobriram isso.

Crônicas da Leila

“Leiam no site do Lima Coelho (www.limacoelho.jor.br) o CABOCLA JUREMA e A JAQUEIRA SOMBRI, de minha autoria. O livro de contos entrará na fase de revisão. Se tiverem um tempinho
deixem um comentário. A velhinha agradece. Outro conto que também gostei é ELVIS MORREU”. - Saudações baianas.
AXÉ! Leila Jalul - Porto Seguro.


3 comentários:

  1. Caro Elson,

    antes de tudo, expresso minha admiração e carinho pelo seu trabalho, que aliás, é um dos melhores do Acre.
    Uma dúvida em relação à Océlio de Medeiros, tempos atrás fiz um artigo sobre ele, mas as fontes às quais pesquisei deixavam meio incertas a data de seu nascimento e morte. Nascimento: 1917 ou 1918? E de morte: 2008 ou 2009?
    Agradeço desde já sua atenção.
    Parabéns por essa página magnífica!
    Na admiração,
    Isaac Melo.

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  2. Oi Isaac,

    Obrigado pela visita, o nascimento é 1917 e a morte em 2008. Vou corrigir o post.

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  3. Infelizmente soube de sua morte meu caro amigo Ocelio somente agora depois de 4 anos, me ausentei desse Brasil e nao volto mais.... lamento e sinto saudades de ti amigo, dos cafezinhos que tomavamos no fim de tarde no seu apto na 105 sul em Brasilia.
    De suas palavras sabias...adeus meu ilustre amigo, que Deus o tenha.

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